“Talvez essa seja a coisa mais difícil, saber quem a gente é. Na verdade, não tenho mais nenhum interesse em saber quem sou. A vida vem me fazendo viver de muitos jeitos, como se já tivesse sido várias pessoas. Eu me sinto múltiplo. Quando se vive muito tempo e muito intensamente, acabamos por descobrir em nós potenciais de vida ainda não usados, por medo e por ignorância de nós mesmos. E não é amesma coisa do que usar máscaras ou viver personagens teatralmente, como defesa ou astúcia. Quando superamos o medo de ser o que a gente realmente é, vai se surpreendendo com o que ainda dispúnhamos para ser. Talvez o melhor de nós mesmos é o que nos fazem mais reprimir. Mas, entenda, claro que a gente é um só, o que foi produzido geneticamente, mas tem também a parte que a vida nos ensina a ser, esta última de que falei. A gente vai se revelando aos pedaços e se modificando de tal forma a nos fazer pensar, quando chega a velhice, que fomos muitos homens diferentes durante a vida. (…)”
Roberto Freire em entrevista à revista gaúcha Wonderful.